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Alex Primo - professor de Comunicação e Informação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Porto Alegre), autor do livro “Interação Mediada por Computador: comunicação, cibercultura, cognição” - acaba de abrir um novo blog onde agrega informação bibliográfica (e não apenas em texto) sobre a área da Cibercultura.
Visita obrigatória para quem se interessa pelo tema.

Estão abertas até 12 de Setembro as candidaturas ao curso de mestrado de Ciências da Comunicação, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. As áreas de especialização são três:

Podem concorrer os detentores de uma licenciatura que não tem de ser necessariamente em Ciências da Comunicação. Os critérios de selecção compreendem parâmetros relacionados com a formação académica, a experiência profissional (nomeadamente na área do mestrado) e experiência cientifica (participação em projectos de investigação, publicações, etc).
O curso tem a duração de dois anos (quatro semestres), sendo que os últimos dois são ocupados com um estágio e a elaboração de um relatório ou dissertação. O estágio tanto pode ser feito numa empresa ou serviço como num projecto colectivo de investigação da área de especialização do mestrado.
Os dois primeiros semestres são ocupados com actividades lectivas que decorrem três dias por semana (de segunda a sexta), entre as 18 e as 21 horas, no campus de Gualtar da Universidade do Minho, em Braga. As unidades curriculares incluem matérias de cunho teórico e prático-laboratorial.
As candidaturas são feitas por via electrónica, nos Serviços Académicos da Universidade do Minho, devendo a documentação de comprovação ser enviada por correio ou entregue pessoalmente.
A este mestrado podem concorrer também detentores de um currículo escolar, científico ou profissional, que seja reconhecido como atestando capacidade para realização deste ciclo de estudos pelo Conselho Científico do Instituto de Ciências Sociais.
As instruções para a candidatura podem ser consultadas AQUI.

(Nota: Este post é a transcrição de um outro publicado por Manuel Pinto no Jornalismo&Comunicação)

É uma pergunta provocatória a que Leonard Witt lançou durante a discussão num dos painéis da convenção anual da Association for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC): “Here, I believe, is the ultimate ethical question: If the American public does not want to pay for journalism — in other words, doesn’t find value in what we as journalists do — should we simply stop doing it?“.
Vale a pena ler o que ele próprio escreve sobre o assunto e a resposta de Amy Gahran no E-Media Tidbits.

Sendo certo que o contexto português é significativamente diferente do norte-americano importaria não passar ao lado de uma reflexão aberta sobre a profissão que envolvesse também estas ‘questões do ventre’ - como lhes chamaria o politólogo francês Jean François Bayart. O jornalismo e as mudanças em curso dificilmente se analisam com seriedade se não for considerada a precariedade, os salários baixos da maioria dos profissionais, o abuso, por parte de algumas empresas, da figura do estagiário, ou as limitações impostas por uma progressão na carreira que, na esmagadora maioria das situações, só acontece com a assumpção de cargos de chefia.

Vale mesmo a pena dispensar cerca de seis minutos para ver a entrevista de António Delgado (Caspa.tv) a José Cevera, o recém-nomeado director da Escuela de Periodismo Digital, criada pelo grupo a que pertence o 20minutos.es (convém não esquecer que o grupo espanhol pertence ao grupo norueguês Schibsted - o tal que já arrecada mais de 60 por cento dos seus lucros operacionais com a net).
O que diz Cevera no video:

“O nome ‘jornalismo cidadão’ é abominável e deriva de um fracasso profundo da profissão jornalística”

“A indústria tem um problema - não consegue ganhar dinheiro a fazer o que fazia antes; a questão é que não pode continuar a fazer o que fazia antes (…) Os nossos produtos, aquilo a que chamávamos ‘notícia’, aquilo a que chamávamos ‘meio de comunicação’ já não valem”

“Se um produto profissional é tão parecido como o produto desenvolvido por um amador a tal ponto que se confundem o profissional tem um problema: está a fazer um produto mau”

“O que está em crise não é o jornalismo…é o modelo de jornalismo que se pratica”

Sugestão recolhida no Infotendencias.

É um sinal claro dos tempos…

Até há pouco, quem quisesse investir em jornais consultava um dos muitos analistas disponíveis e lá fazia a sua aposta. Agora, tudo é mais difícil porque, como relata este texto da Reuters, o analista de imprensa está a desparecer.

Two years ago, investors could get research from more than a dozen analysts. Now, they are lucky to find half that number. (…) Failure to replenish these ranks could wipe out decades of intelligence, and critical thinking about the business of newspapers could well disappear over time.”

A Meios e Publicidade revela hoje que a Associação Portuguesa para o Controlo da Tiragem e Circulação (APCT) tem em curso um projecto para auditar os dados produzidos por aquela que é, neste momento, a ferramenta bitola para o sector da informação online - o Netscope da Marktest.
É um passo que se aplaude, uma vez que a APCT corria já sérios riscos de ser vista como uma entidade deslocada no tempo. Sendo um passo na direcção certa é, ainda assim, um passo tímido, uma vez que talvez devesse exigir-se à associação nacional uma postura mais pró-activa nesta área (aliás, à semelhança do que acontece, por exemplo, no Reino Unido, onde o ABC criou há já algum tempo o ABCe e ali divulga, de forma actualizada e gratuita, os dados da presença online dos vários operadores).

o MEU blog

Estive quase três semanas sem aqui escrever.

Não avisei sequer.

Agora - também sem avisar - reapareço e lá continuo com a minha vidinha…um post hoje, dois ou três depois de amanhã…uns outros dois passado outros tantos dias.

Errático.

Sempre.

Lembrei-me, por causa disto, de ter recebido, há meses, um mail com um pedido de informações sobre a ‘nossa tabela de publicidade’ e pus-me a pensar que, tentando viver a vida com honestidade, nunca lhes poderia ter respondido de forma positiva.

O Atrium não pode ter uma ‘tabela de publicidade’ porque o Atrium - apesar da sua já interessante idade (em ‘blogo-anos’) - ainda não se leva suficientemente a sério para assumir compromissos.

O Atrium é o MEU blog e vive ao sabor das minha disponibilidade, das minhas urgências, dos meus humores. Não há maneira nenhuma de - neste estado de coisas - poder vir a ser um negócio. É - na já vetusta definição original simplificada de um blog - um espaço de publicação pessoal. E pronto. Ainda chega.

Obrigado aos (poucos) que ainda vão tendo paciência para por cá passar.

Três mitos sobre a Net

Annalee Newtiz escreve, na AlterNet, um texto curioso sobre o que diz serem os três mitos da Net que se recusam a desaparecer.

Mito 1 - A Net é livre
Mito 2 - A Net não conhece fronteiras
Mito 3 - A Net está cheia de perigos

O Blogouve-se acabou

O João Paulo Meneses - um dos jornalistas com blog que há mais tempo mantem presença permanente na blogosfera nacional - aproveitou o quinto aniversário do seu Blogouve-se para anunciar o fim.
Há uma justificação de peso - a necessidade de terminar a sua tese de Doutoramento - mas há na nota de despedida também sinais de alguma amargura.
Mesmo não partilhando a totalidade das suas posições, sempre entendi a postura do João Paulo na net como transparente - toda a gente sabe onde trabalha, foi talvez o primeiro a criar para o seu espaço um guia ético e técnico e sempre fez por apresentar declarações de interesse. É, diga-se, muito mais do que faz a maioria dos bloggers nacionais, incomensuravelmente mais do que fazem muitos jornalistas-que-também-escrevem-em-blogs-mesmo-sob-pseudónimo-ou-debaixo-da-capa-do-anonimato.
Boa sorte ao João Paulo no projecto que precisa de terminar.
Cá o esperamos, antes do fim do ano, num qualquer outro lugar por aí. Espaço não falta.

Jornalistas formam amadores

A norte-americana Society of Professional Journalists decidiu encarar a proliferação de meios de auto-publicação não como uma ameaça mas como uma oportunidade.
Criou a Citizen Journalism Academy, um enquadramento para acções de formação dedicadas a não profissionais sobre temas que cobrem a ética, a legislação, o acesso a documentos e a espaços públicos, práticas informativas responsáveis e o uso da tecnologia.
Benoit Raphael escreve, no seu Demain tous journalistes?:

D’aucuns diront que ces journalistes se tirent une balle dans le pied. D’autres répondront qu’ils refusent au contraire de se mettre des oeillères et essaient d’apporter une pierre au nouvel édifice de l’information.

É uma ideia que nos segura de imediato - no ano em que a ARPA faz 50 anos e em que o Mosaic faz 15, a Vanity Fair decidiu enviar dois repórteres em busca das histórias que têm para contar as pessoas que fizeram essa História.
O texto - An oral history of the Internet / How the Web was won - tem oito capítulos e é, também ele, um documento.

[Sugestão encontrada no Cyberbrains]

A aplicação de recursos como o Flash a conteúdos jornalísticos - sobretudo quando isso acontece na justa medida - está a abrir caminhos a novas formatações e até a novos géneros.
Mark S. Luckie apresenta-nos uma listagem de oito propostas consolidadas que vale a pena acompanhar.

Telemóveis fazem pipocas ?

É uma área estranhamente nublosa ainda a dos efeitos das radiações dos telemóveis.
Há, de certa forma, até um certo paralelismo histórico entre a gestão que se faz de estudos (encomendados ou não pelas empresas e pelos reguladores) e a que se fez, durante décadas, com o tabaco.
É fácil imaginar, daqui a alguns anos, as pessoas rirem-se de anúncios publicitários com gente feliz segurando o seu telefone móvel junto à cabeça, como agora fazemos com os anúncios em que Ronald Reagan ou o Pai Natal sugerem embalagens de maços de cigarros como excelentes prendas.

[Post actualizado na sequência do comentário do Bruno Figueiredo]

A indefinição é terreno fértil para a suspeita e para aproveitamentos que a partir dela sempre se fazem (…que las hay…).
O video que a seguir se apresenta é disso exemplo - circula de forma viral pela net desde o fim de Maio (eu recebi-o numa mensagem de um amigo) e já terá sido visto por mais de 8 milhões de pessoas - e faz parte de uma campanha de uma empresa que vende auriculares Bluetooth, a Cardo Systems.

Um teste que se diz genuíno  - o video vem indicado como tendo sido feito na redacção do Lepost.fr - pode também ser encontrado no YouTube.

Recebi há pouco a informação, através de uma mensagem que Robert Niles pôs a circular na lista de subscritores no Facebook - a Online Journalism Review vai acabar.
Uma década de publicação deixará, certamente, a sua marca.
Quem quiser continuar a acompanhar os escritos de Niles pode fazê-lo na sua nova morada, o ‘Sensible Talk‘. E porquê este nome?

“Because that’s how we make better journalism — with sensible talk. Our ability to report is only as good as our ability to perceive, and our perceptions are best informed by both our senses and our understanding of facts.
When journalism is working well, good reporting flows from facts to conclusion to action, giving citizens the tools to build a better society.
Journalism fails readers when it regurgitates ideology, from publishers or from sources, instead of exploring facts”.

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